Querido,
Queria saber o porquê da sua angústia,
Esse vão tão profundo na sua alma,
Essa fenda em que avistamos o abismo,
Sem saber o que fazer.
Querido, sua dor ainda me emociona.
Cada vez mais.
E eu me reflito nela,
Como a Lua ao Sol escaldante,
O Sol que cria mas que também mata.
A Lua que brilha plácida e inútil.
Querido, você está cada vez mais distante.
Será a mudança das estações?
Será o medo da Lua Cheia?
Será Medo, puro e simples?
Aquele medo sem razão que faz nosso sangue gelar.
Aquele medo que temos quando passamos por cemitérios.
Será o medo da Morte?
Querido, eu sou amiga da Morte.
Ao nascer, ganhei o nome de uma garota morta.
E nunca mais rezei por ela.
Querido, você me teme?
E se me teme, porque me ouve?
Será a curiosidade pelo desconhecido?
Geralmente humanos temem o que não conhecem.
Mas você adentra a floresta,
E enfrenta, ainda que amedrontado, a escuridão.
Querido, eu sou a escuridão.
Represento o que de negro há na sua alma
Será?…
Será que deixei de seu anjo?
Sinto por isso.
Queria continuar a ser a estátua de mármore.
A gárgula alada, a te observar de longe.
Querido, desculpe se te assusto.
Costumo assustar muita gente.
Querido, meu coração chora por você.
Dia após dia,
E quando estou sozinha,
E quando vejo você passar por mim.
Querido, eu quero te ajudar,
Quero pegar sua mão,
Quero te levar.
Mas como, sem te ferir?
Yours Trully,
Anita.



