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Poesia: Sua Julieta Gótica

Querido humano (ou será que não)
Será que somos iguais?
Criaturas obtusas. Coisas raras e bizarras.
E sempre com tanto medo dos humanos.
Esses vis seres a nos perseguir. Século após século.
E nós apenas nos defendemos.
Matando e nos matando, a cada segundo.

E que tipo de criatura será você?
Hoje uma humana me fez pensar.
Hoje esta humana olhou por através das fendas.
Das fendas da minha máscara de gesso.
E viu a pedra fria da face do gárgula.
Viu a macia pele pálida do vampiro.
Viu o pelo lustroso do lobo infernal.

Hoje esta humana me viu como sou.
E ela se assustou!
Saiu correndo, aterrorizada.
Temendo por sua alma. Temendo por sua integridade.
Com medo que minha monstruosidade pudesse corromper seu caráter.
Talvez com medo de si mesma. Quem saberá?

Querido monstrinho,
Doce monstrinho,
Meu monstrinho inspirador,
Hoje a humana viu que meu interior e meu exterior finalmente combinam.

Querido anjo,
Meu doce anjinho de asas negras e olhar desesperado,
Não me magoe mais. Estou suficientemente machucada.
Não me maltrate mais. Não mais se divirta as minhas custas.
Sou apenas uma pobre criatura à espera de meu par perfeito.
Tão imperfeito quanto eu.

Querido Monstrinho, então humano,
Fiquei aterrorizada com ela. Sabia?
E preciso de você.
Se não com você, com quem mais poderei chorar,
Quando minhas cobaias humanas perecerem,
Quando minhas criaturinhas aladas saírem voando?

A humana espremeu sua bílis em meus olhos.
Envenenou minha água.
Matou-me de fome.
Fechou-me num círculo mágico.
Feito de giz e pó de tijolo.

Me afastou para longe dela, e para longe de você.
Mas meus olhos machucados ainda alcançaram os seus.
Minha visão turva ainda pôde ver você.
Minhas mãos ainda alcançaram você.
E meu pensamento extrapolou esse círculo.

Sua Julieta gótica não se dá por vencida.
Sua Julieta morta, que passeia por cemitérios,
Não atura humanos arrogantes.
Tão cheios de si, quem pensam que são?
Meu Romeu vitoriano, o veneno não te matou.
A adaga não me cortou.
Pereceremos de outra forma.
Bem longe daqui.
Junto ao construtor de sonhos,
Em outra dimensão.
Longe de humanos e humanas,
Que simplesmente não nos compreendem.

Querido monstrinho,
Sei que nada é para sempre,
Mas algumas escolhas são eternas.
Duram uma vida. Algumas vidas.
Mas quem sabe mensurar a eternidade?

Poisoned kisses,

Anita.

 
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Publicado por em julho 28, 2009 em Poesia

 

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Diário: Vinho e Sangue

Queridos,

Esta tem sido uma noite de vinho e sangue. Uma noite de chuva lá fora e meditação aqui dentro. Descobri hoje que uma de minhas humanas está com problemas. Mind problems, as they say… O mais engraçado e ao mesmo tempo bizarro é que ela costumava caçoar do vício de outros humanos tão imperfeitos quanto ela, e agora a pobre mortal utiliza das mesma pílulas salvadoras para tentar curar-se de seu próprio desespero diário. É… Alguns humanos quando olham para dentro de si mesmos, quando conseguem tempo para isso, vêem algo tão horrível que acabam ficando loucos. Por isso, não sofro desse mal. Sei quem e o que sou. E monstros não se deprimem. Se irritam. Matam. E no meu caso, especificamente, protegem seus humanos queridos.

Falando nisso, faz tempo que não falo sobre meu humano predileto. E eu tenho estado tão orgulhosa dele. Seu desenvolvimento, sua positividade, sua própria fé no semelhante têm me deixado feliz. Eu, criatura tão pesimista, fico sinceramente admirada quando alguém se vira para mim e diz que há bondade na Humanidade, que os humanos podem de fato praticar a bondade, sem buscar retorno. Que gratificante. Realmente. Peço desculpas se pareço ironizar, mas estou sendo sincera. Hoje em dia, nessa época, depois de tudo o que eu tenho visto, é dificil acreditar na bondade gratuita humana. Já no caso de demônios, isso é mais aceitável, pois esperamos o Mal, e quando o Bem surge, aí sim vislumbramos um milagre. Bom, deixemos de falar sobre demônios, eles costumam ser bem tediosos. Ou melhor, acho que por hoje está bom. Esta noite sinto-me inspirada e sinto que meu humanozinho tão caridoso, tao sensível, e tão complexo ( por isso tão interessante ) merece uma poesia, mesmo que sangrenta. Pensarei em algo, para você meu muso inspirador.

Bloody Kisses…

Anita.

waterhouse_dolce_far_niente

 
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Publicado por em abril 2, 2009 em Diário

 

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