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Diário: Roleta Russa

É madrugada, meus queridos e aqui estou eu. Meus olhos ardem. Meu coração, será que ele ainda está lá?

Ás vezes me sinto morta.

Ou como se tudo tivesse sido um sonho.

Incrível como pessoas e coisas passam por nossas vidas com tal velocidade. É como estar num carro voando baixo sobre uma via recém-pavimentada. Os rostos se misturam, e em algum ponto da viagem você já não tem mais certeza se eles eram reais, se tudo aquilo aconteceu de verdade. A idade chega, sorrateiramente, e os ferimentos passam a demorar mais para curar.

Incrivel como sinto falta até do que odiava, até que de quem odiava.

Mal posso encontrar palavras para dizer o quanto sinto falta de quem eu amava. E amo. E amarei para sempre. Esse rostos sim, permanecerão na minha memória, e mesmo que em algum ponto eu pense que sonhei tudo aquilo… Fingirei que foi verdade.

Morrer aos poucos ou de uma vez, dá tudo na mesma. A dor é a mesma. E quem sofre é sempre aquele que fica.

Assistir a Morte chegando devagar. Lentamente se apoderando daquele corpo. Levando embora a alma que você tanto ama. Como lutar contra o que já foi escrito?

Melhor se acostumar.

Mas nós nunca nos acostumamos, certo?

Nosso egoísmo é tão grande, que preferimos o sofrimento à Morte.

Afinal Amor, Ódio, Vida, Morte,  não é tudo a mesma coisa? Obstáculos e bálsamos, no meio dessa nossa existência caotica.

Incrivel como nenhuma religião nos dá uma resposta pura e simples: Por quê?

Para vocês, queridos amigos, Anita se ergue aos poucos e agradece pelas doces palavras e o carinho eterno.

Que o Universo os abençoe com apenas os bálsamos, e faça com que os obstáculos caíam por terra, um por um.

Yours trully,

Anita.

 
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Publicado por em janeiro 11, 2010 em Diário

 

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Poesia: Fantasma Apaixonado

Querido,

 

Queria saber o porquê da sua angústia,

Esse vão tão profundo na sua alma,

Essa fenda em que avistamos o abismo,

Sem saber o que fazer.

 

Querido, sua dor ainda me emociona.

Cada vez mais.

E eu me reflito nela,

Como a Lua ao Sol escaldante,

O Sol que cria mas que também mata.

A Lua que brilha plácida e inútil.

 

Querido, você está cada vez mais distante.

Será a mudança das estações?

Será o medo da Lua Cheia?

Será Medo, puro e simples?

Aquele medo sem razão que faz nosso sangue gelar.

Aquele medo que temos quando passamos por cemitérios.

Será o medo da Morte?

 

Querido, eu sou amiga da Morte.

Ao nascer, ganhei o nome de uma garota morta.

E nunca mais rezei por ela.

 

Querido, você me teme?

E se me teme, porque me ouve?

Será a curiosidade pelo desconhecido?

Geralmente humanos temem o que não conhecem.

Mas você adentra a floresta,

E enfrenta, ainda que amedrontado, a escuridão.

 

Querido, eu sou a escuridão.

Represento o que de negro há na sua alma

Será?…

Será que deixei de seu anjo?

Sinto por isso.

Queria continuar a ser a estátua de mármore.

A gárgula alada, a te observar de longe.

Querido, desculpe se te assusto.

Costumo assustar muita gente.

 

Querido, meu coração chora por você.

Dia após dia,

E quando estou sozinha,

E quando vejo você passar por mim.

 

Querido, eu quero te ajudar,

Quero pegar sua mão,

Quero te levar.

Mas como, sem te ferir?

 

Yours Trully,

 

Anita.

 
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Publicado por em agosto 20, 2009 em Poesia

 

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Poesia: Tinta Negra

Agora pouco tentei escrever sobre você
Perdi minha caneta favorita
E quando vi, a nuvem que havia me lembrado você
Tinha desaparecido
E a música que tinha me lembrado você
Tinha acabado
E de repente você já não fazia mais parte
Do meu dia-a-dia
Das minhas imagens
Das minhas fantasias

Como números em papel de fax
Aos poucos você evanesceu
Como clipes de papel que eu não quero mais
Cada memória vai indo embora
Junto com os documentos
Junto com as Faturas
E as Notas Fiscais para o Japão
Papéis que seguem seu caminho
Assim você também seguiu seu caminho
Para fora daqui e para fora de mim

Querido, como eu te quis…
E por quanto tempo…
Tanto, que eu acabei desisitindo
Mas não desisti de você
Desisti de uma imagem que tinha de você
Uma cópia mal feita
Uma digitalização idealizada
Algo alterado
Melhorado
Quase uma pintura
Tão bonito
Mas ainda assim, de papelão.
Falso Rembrandt
Pendurado na sala de reunião

Querido, quando você me deixou
Eu quis morrer
Realmente quis saltar daqui
Deixar meus sapatinhos no parapeito
E simplesmente voar para fora daqui
Junto com todos esses papéis inúteis
Porque eles se tornariam inúteis,
Depois da minha partida.
Será que eles criariam asas, pobres papéis.
Será que eu criaria asas,
Ou simplesmente fecharia o trânsito
Lá embaixo, cercada de gente
Todos a observar o sangue nodoando as pedras portuguesas

Tão poético.
E será que você se juntaria a multidão?
Será que tiraria os olhos do seu monitor?
Será que o cheiro do meu sangue invadiria o ar condicionado?
E chegaria até você
Te acordando de um meio sonho, com códigos
Onde tudo é zero ou um. Tudo ou nada.

Querido, estamos bem. Não estamos?
Todos nós, digo.
Nossa geração. Nos sinto tão desesperados.
Tão sem propósito
Tão sem alma
Tão descolados uns dos outros

Ou será que é assim que apenas eu me sinto?

Já procurei por todos os lugares
E ainda não encontro minha caneta.
Era branca, com o logotipo de uma companhia de Seguros
A tinta era negra
Era tão macia
Eu a carregava para todos os lugares
Que pena.

Querido, quando foi que perdi você?
Ou será que o tive pelo menos por um segundo?
Sabemos que não estou bem.
E não tenho estado, por muito tempo.
Adeus, meu amor.
Quantas vezes eu disse isso? Já perdi a conta.

Ainda tenho que terminar tanta coisa
Antes de ir embora
Finalizar uns cálculos
Terminar umas conversas
Fechar umas janelas
Guardar coisas
Jogar outras fora.

Querido, você realmente nunca esteve aqui
Depois desse tempo todo, finalmente eu consigo ver.

Raquel.

 
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Publicado por em março 24, 2009 em Poesia

 

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