É madrugada, meus queridos e aqui estou eu. Meus olhos ardem. Meu coração, será que ele ainda está lá?
Ás vezes me sinto morta.
Ou como se tudo tivesse sido um sonho.
Incrível como pessoas e coisas passam por nossas vidas com tal velocidade. É como estar num carro voando baixo sobre uma via recém-pavimentada. Os rostos se misturam, e em algum ponto da viagem você já não tem mais certeza se eles eram reais, se tudo aquilo aconteceu de verdade. A idade chega, sorrateiramente, e os ferimentos passam a demorar mais para curar.
Incrivel como sinto falta até do que odiava, até que de quem odiava.
Mal posso encontrar palavras para dizer o quanto sinto falta de quem eu amava. E amo. E amarei para sempre. Esse rostos sim, permanecerão na minha memória, e mesmo que em algum ponto eu pense que sonhei tudo aquilo… Fingirei que foi verdade.
Morrer aos poucos ou de uma vez, dá tudo na mesma. A dor é a mesma. E quem sofre é sempre aquele que fica.
Assistir a Morte chegando devagar. Lentamente se apoderando daquele corpo. Levando embora a alma que você tanto ama. Como lutar contra o que já foi escrito?
Melhor se acostumar.
Mas nós nunca nos acostumamos, certo?
Nosso egoísmo é tão grande, que preferimos o sofrimento à Morte.
Afinal Amor, Ódio, Vida, Morte, não é tudo a mesma coisa? Obstáculos e bálsamos, no meio dessa nossa existência caotica.
Incrivel como nenhuma religião nos dá uma resposta pura e simples: Por quê?
Para vocês, queridos amigos, Anita se ergue aos poucos e agradece pelas doces palavras e o carinho eterno.
Que o Universo os abençoe com apenas os bálsamos, e faça com que os obstáculos caíam por terra, um por um.
Yours trully,
Anita.

