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Arquivo do mês: fevereiro 2012

Fantasma

Olá queridos e queridas… Meus adoráveis e – tão restritos – seguidores..

Fanstamas não são apenas espíritos desencardados que vagam por casas velhas , e assustam criancinhas.

Alguns dos meus fanstamas fazem meu sangue gelar – assim como a maiora dos humanos, mas isso não vem ao caso.

Mas meus outros fantasmas me são tão queridos que eu se eu pudesse eu os guardaria em jarros de vidro colorido, na prateleira bem a frente da minha cama, junto com os cérebros no formol, dos humanos que ainda tento entender. O que há de errado comigo? Sou uma colecionadora de sentimentos. Tanto do que eu mesma sinto quanto daqueles que outros sentem e eu tenho a habilidade de captar e talvez capturar.

Nesses anos todos, das minhas mais interessantes conversas – obviamente regadas a muitos “espíritos” – o poeta falido no meio da praça, mas cheio de uma elegância quase burguesa. A jovem feminista, cheia de ideiais, com a qual eu gastaria semana de conversa se o namorado ciumento não a tivesse removido da minha má influência tão cedo. O politizado artista, com um quê inconfundível de Henry Miller, que em poucas horas me fez sonhar com um Mundo em que as Artes tinham o seu real valor.

Ah.. Mas há tantos outros. O jovem desesperado, tentando encher o buraco de sua alma com aquisições cada vez mais absuras. Encher de material o que só pode ser preenchido com o espiritual..E eu ainda sinto que ele não está feliz, mas ao mesmo tempo ainda não descobriu o que busca. Ainda assim, ele me faz tão bem. Eu o carrego por aí, as correntes fazendo barulho. Sua sombra inspirando os mais belos poemas.

E o grupo de amigos que aprendi a amar, e que silenciosamente capturei uma amosta de cada coração, para analisar posteriormente. E entre esse grupo, ergueu-se um Cavaleiro Templário, com um caráter que me fez sentir a mais mesquinha dos seres humanos.

Em outro grupo de amigos, encontrei a doçura e a sensibilidade onde menos poderia imaginar. E cada vez que eu cavava, mas de uma personalidade complexa e incrível se mostrava diante dos meus olhos atônitos. E quando mais a neve caía, quanto mais a fada verde nos visitava, minha visão ficava mais clara. As travas sociais clariavam meus olhos e eu o podia ver em sua real forma.

Tenho uma alma que se marca com facilidade. Tenho uma pele que cria ematomas com facilidade. Sou frágil e por isso nem sempre sou boa. Criei uma casca, e me orgulho dela. Quem olha através das emendas, consegue ver que eu sou. Tenho uma amiga que consegue ver através das arestas, e essa amiga, broken pela vida, ainda assim sente carinho por sua amiga sumida, mas não tanto que eu sinto por ela. Não tem idéia da magnitude de sua influência na minha vida, e além.

E há aquele que me cativou, e por isso é responsável por o que cativa. Solta a fera para correr por entre o deserto e a pradaria, mas se mantem de olho, o tranquilizante na mira. E isso é essencial para mim, ele reconhece. Correr, fugir, e ser novamente domada, é o que me faz seguir em frente.

E eu sigo em frente. Tão longe de quem eu amo, pelo simples fato de que não consigo dizer o quanto os amos. Amigos de passagem, conhecidos, ou o que quer que for. Por um momento vocês tocaram a vida de alguém que usa diariamente uma carapaça de escama de dragão. Tenham paciência e sintam-se amados.

Sinceramente,

Gisele.

 
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Publicado por em fevereiro 1, 2012 em Uncategorized

 
 
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