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Arquivo do mês: setembro 2010

Poesia: Sangue nas paredes

Meu querido humano, por quanto tempo pode uma vida ficar suspensa?
Um momento congelado no tempo, do qual simplesmente não queremos sair.
Sua sensibilidade é interessante.
Sua sinceridade, terrível.
Tão inocente e tão letal.
Pode algo ser mais perigoso?
Pessoas boas são perigosíssimas.
São imprevisíveis.
São egoístas.
Fazem o bem, mas cobram por isso.
E as vezes o preço é alto demais para o resto de nós.
Querido, o que há conosco?
Por que ser sistematicamente pisado? Diariamente
ser massacrado e como num jogo de videogame, ressurgir novo em folha no dia seguinte?

De longe, tudo parece tão bom.
Mas isso vai nos matando aos poucos.
Destruindo nossa energia vital. Nos fazendo envelhecer.
E você acha sinceramente que um final de semana nos cura?
Acha que um feriado prolongado mata o que nos contaminou durante a semana toda?
Se você acha isso, querido, você é ingênuo. Mais um humano sonhador.
Mas algo me diz que você não pensa assim.
Você olha para ele e o quer matar.
Mas calma, você disfarça bem.
Eu disfarço bem.
Incrível como o Mundo vive sob um fino véu de aparências.
E se estivéssemos em outra situação, haveria sangue nas parede.
Querido, sinto sua dor.
Vejo o que se passa.
Imagino por onde você andou.
E tenho certeza: Isso também passará.

Bloody kisses…
Anita.

 
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Publicado por em setembro 20, 2010 em Poesia

 

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